Rewind - retranslated

Dear Party Weirdo,

I don’t quite know what to say to this. It’s a compliment I can’t possibly pay back, except maybe by offering you not a correction, but an humble reinterpretation of your post:

He didn’t fall in love.

It had been amply demonstrated to him that he was no longer able to abandon himself into that happy nonchalance. He had known, for some time now that his first contacts with women provoked in him automatic reactions which he couldn’t control. In other words, he simply and slightly exaggerated the consideration he felt for them for having noticed him. When that nebulous moment came, where neither him nor she knew exactly if they were speaking seriously or just joking, he would convince himself that, since it was a joke, it couldn’t possibly be more than a nervous reaction to hide the fire, the real one this time, that must consume both of them. He then felt, almost like an obligation, that he had to fall in love with the girl, as if he owed her that much.

He took this game so seriously that he ended up always playing around the really serious situations. He was forever unable to think of passion with getting rash, frozen, as if in a single violent moment he was suddenly aware of everything he had turned his back on to and that by understanding it he could no longer go back and be unaware.

Thank you again. 

 

The fridge door

Dear L,

At first I didn’t know quite what to make of your decision to plaster poor Yeats upon your fridge door, myself not being given to use my own for such noble purposes.

However, remembering the poet’s very epitaph ("Cast a cold eye on life, on death; horseman, pass by!"), I must agree with you that the text can find no better home than precisely on your fridge.

 

 

Literature

French literature can be defined as English literature without Shakespeare.

 

Europe

Europe is where nothing is ever erased

Eu não

"há minutos mais curtos do que outros, não são todos iguais. Nem na duração, nem na quantidade de informação de que estão grávidos".

Este era o tipo de frase que eu deixava sobre a mesa de um qualquer jantar sabendo de antemão que ia ser percebida de uma das muitas maneiras erradas de a perceber. Aliás, e isso eu sabia, a confusão era inevitável por ter sido formulada uma opinião incompleta e impulsiva num tom de voz de afirmação definitiva, macerada e polida por muitos anos de pensar nela.

A discussão entre os convivas era acesa, sempre. Não tinha preparadas estas eloquentes proposições de antemãoe e muito menos ia a esses jantares à espera do melhor momento para as proferir, não. Apesar de o ser, também não as dizia por ser arrogante, como se fosse necessário juntar alguma coisa às minhas idiossincracias.

O que não se evitava nunca era o momento em que me aborrecia de morte. Em retrospecto, sei  que não era nenhum aborrecimento, mas sim uma descarga compensatória do meu corpo ao sentir chegar um momento crucial do evento. Após a fome estar saciada e o álcool ter começado a fazer zumbir o cérebro como uma máquina bem oleada a alta velocidade, era a altura em que o debate inocente até ali de qualquer veleidade de se imiscuir em assuntos tão pouco apetitosos, dedicava toda a sua atenção àquilo que os presentes acreditavam ter que partilhar do mais profundo das suas almas, com toda a urgência, o seu credo. Ou pelo menos de tão profundo quanto conseguiam chegar.

Como odiei esse momento. Sentia-lhe o cheiro, a progressão, como uma fuga. Nunca me senti preparado para tamanha violência.

E assim, na maior parte das vezes, essas banalidades perfeitamente treinadas e à distância de mais um golo de vinho tinham o efeito desejado: dizia-se mal e bem, concordava-se, discordava-se, discutiam-se-lhes os méritos e os deméritos, mas sobretudo, sobretudo nunca comigo.